domingo, 15 de novembro de 2009

Ele olha pra ela
enquanto dirige e
diz uma frase sem sentido
Ela olha desconfiada.
"Nunca viu esse filme?"
Não. Ela não tinha
visto. E pensava que era
melhor ter ficado
em casa. Depois da
cerveja, a vontade
incontrolável de ir
a um banheiro. Maior
era o desejo de
dizer adeus. Mas
até que não foi tão
ruim. Se estivesse
em casa, seria pior.
Afinal,
"é bom até quando é ruim".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pensamento
Pulsos elétricos
Impulsos
Melodramas caseiros
Amadores
Fraudulentos
Um amor em liquidação
Na rua Direita
Um grão de areia
Cisco no olho
Vão entre paralelepípedos
Amor em vão...
Amor vão
VÃO
Fenda no meio do meu peito
Espaços no meu coração.

domingo, 8 de novembro de 2009

Uma vida inteira
Fluindo pela gota
Pendurada na ponta
Do focinho
Medo.
Não tenha medo,
Meu amor!
Colo meu corpo contra o seu
Abraço forte
Dou-lhe um beijo
E ela é sedada
Responde ainda
Aos estímulos:
Ouve, entende, vê.
Sente o cheiro abafado
Da noite derradeira
Perde a consciência...
Sinto seu coração acelerando
E logo... não sinto mais nada.
Acabou o sofrimento,
Dela e meu
Acabou.
Resta o amor, a saudade.
Resta a paixão.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Parou! Com o cigarrinho
amigo, com o uisquinho
caubói. Quer fazer ioga.
Dar um trato
no corpinho, antes
dos trinta. Diz que
quer viajar. Morar no
interior. Na paaaz.
Ou se jogar nalgum
apê do centrão dessa
cidade... São Paulo...
Ô loucura! Ela mantém
essa relação de amor
e ódio com SP, sabe?
Vive solteira, mas
nunca sozinha. Vez ou
outra, encontra um ex.
Sai. Sente a vida
pulsando. Compra um
livro. Mesmo que tenha
inúmeros pra ler. É
vício. Consumismo
literário. Disso ela padece!
E de amor... Ama tudo e
todos. E quer morrer.
Depois passa. E recomeça.
Volta pro cigarrinho, pro
uisquinho, pro ex...
E diz que "é só
dessa vez".

domingo, 1 de novembro de 2009

Bel

Penso a solidão
Um mar de tristeza
À luz do Sol
Dia gelado aqui
Gente no parque ali
Mas onde vou
Ela me acompanha.
Pêlo macio depois do banho que dei hoje
Olhos vacilantes de sono
No tapete do banheiro
Olhos enormes
Que me acompanham
Lealmente.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quando menina
Não caminhava,
Dava joelhadas nos dias.
Hoje
O coração mais surrado
Que o all star que calça os pés
Contra as pedras do asfalto
Cabelos molhados da chuva primaveril
Sinto que sou menina
Ainda assim felina
Foliã mulher
Mas quando seu olhar
Gruda no meu
Arranco minha fantasia de heroína
E aguardo o momento
De me aninhar nos braços seus.

É um suplício...

Estar com fome
Na rua
E ter oitenta centavos no bolso
Gastar cinquenta
Numa bala-de-goma-engana-quem?
Pegar ônibus lotado
Um trânsito chapado
E pensar
Que mais vazia que o estômago
Está a vida sem você
Mesmo com tudo atribulado.